Britaldo Rodrigues

 

Presidente do INIC entre 1987 e 1992.


Natural de Aveiro (Freguesia da Glória, Aveiro, 16 de maio de 1940 – Carnaxide, Oeiras, 13 de abril de 2017), Britaldo Normando de Oliveira Rodrigues iniciou a sua carreira profissional em Luanda, Angola, em 1965. Licenciou-se em Geologia pela Faculdade de Ciências de Lisboa, tendo apresentado provas de doutoramento em Petrologia e Geoquímica pela mesma Faculdade de Ciências, em 1974, com uma tese subordinada ao tema «Processos de fenitização relacionados com a estrutura anelar do Nejoio», projeto iniciado na Universidade de Luanda, em 1973. Regressado a Portugal, entra como docente no Instituto Universitário de Évora (1974-75), aprofunda os trabalhos na área da vulcanologia, em particular, da vulcanologia açoriana, bem como de caracterização geológica da região de Lisboa.

Membro do Centro de Geologia do INIC, a partir de 1977, catedrático de Geologia em 1979, Britaldo Rodrigues integra a Sociedade Geológica de Portugal, desempenhando um papel ativo na reorganização desta agremiação, em 1977. Posteriormente ocupou os cargos de vice-presidente da Direção (1980) e Presidente (1981)[1] da SGP, tendo-se associado na criação do Grupo de Mineralogia e a filiação deste último na «International Mineralogical Association»[2]. Fez parte da Comissão Organizadora do I Congresso Nacional de Geologia (Aveiro, outubro de 1983), bem como do II Congresso Nacional (Lisboa, setembro-outubro de 1986). No I Congresso Nacional de Geologia, apresentou «Nota prévia sobre petrologia e geoquímica da ilha de Santa Maria, Açores», com Carlos Matos Alves, no âmbito do «Projecto vulcanológico de Santa Maria».

Convidado a dirigir o Departamento de Geociências da Universidade dos Açores, a partir de 1983, Britaldo Rodrigues foi um dos responsáveis pela criação do Centro de Vulcanologia que, com financiamento do INIC, uniu em consórcio a Faculdade de Ciências e a Universidade dos Açores, em torno do «Estudo vulcanológico do maciço das Sete Cidades (S. Miguel, Açores)», projeto que se prolongou até aos anos 90 sob a égide da JNICT.

Sócio correspondente da Academia das Ciências de Lisboa, em 1981, académico efetivo em 1989, exerceu ainda o cargo de Vice-Secretário-Geral desta instituição, em 2009, tendo sido nomeado académico emérito em 2016. Homem de ciência, Britaldo Rodrigues foi igualmente gestor público de investigação científica e ensino superior, sucessivamente Diretor Geral do Ensino Superior (1980), e entre junho de 1983 e janeiro de 1984, Secretário de Estado do Ensino Superior. Nessa qualidade, coube-lhe promover o colóquio «Realidades e Perspectivas da Investigação Científica no Ensino Superior» (Tróia, 28 e 29 de novembro de 1983). Assumiu a presidência do INIC, em comissão de serviço, entre janeiro de 1987 e janeiro de 1992, tendo feito parte do Grupo de Trabalho encarregue de formular uma proposta de reestruturação deste Instituto[3], em 1990. Nessa qualidade, publicou «Balanço e perspectivas de acção do Instituto Nacional de Investigação Científica»[4], no qual deixou antever algumas medidas para a reforma deste Instituto face à nova «Lei da Autonomia Universitária».

No termo da Comissão de serviço como presidente do INIC, ingressa como docente do Departamento de Geociências da Universidade de Aveiro. A partir de 1994, coordena a linha de investigação para o estudo da «Evolução da litosfera e do meio ambiental superficial (ELMAS)», que incorpora um projeto anterior, igualmente por si coordenado, de estudo de «Processos e produtos da evolução litosférica». Conduz os estudos vulcanológicos, petrológicos e geoquímicos do vulcão das Furnas (São Miguel, Açores), que então integra o «European Volcanological Project» como «Laboratório vulcânico europeu».

Pela mesma época (1991), é presidente do Conselho de Administração da SOGEO, Sociedade Geotérmica dos Açores, S.A., fundada para o desenvolvimento da exploração de energia geotérmica na Ilha de São Miguel. Em 1995, foi agraciado com o doutoramento Honoris Causa pela Universidade dos Açores, atribuído na mesma ocasião ao eminente vulcanólogo francês Haroun Tazieff.

Investigador responsável pelo projeto de vulcanologia comparada «Intergeofogos – Interacção geosférica em ilhas oceânicas: os vulcões do Fogo (Açores) e Fogo (Cabo Verde)» que reuniu em consórcio investigadores das universidades de Aveiro, Lisboa, Açores e o IICT, Instituto de Investigação Científica e Tropical (1999), Britaldo Rodrigues foi presidente do Conselho Científico da Universidade de Aveiro, cargo que exercerá até à aposentação em 2001. Na política autárquica, em que teve breve passagem, foi vogal da Assembleia Municipal de Aveiro, membro do Conselho Nacional do Partido Social Democrata (XII Congresso Nacional, Coimbra, 1999).  Faleceu em Carnaxide, Oeiras, Concelho que adotou e de cujos órgãos municipais fez parte como Presidente da Assembleia Municipal.

 

Fontes:

Nomeação no cargo de Secretário de Estado do Ensino Superior: Decreto do Presidente da República n.º 17/83, publicado no Diário da República n.º 138/1983, 1º Suplemento, Série I de 18 de junho de 1983.

Exoneração do cargo de Secretário de Estado do Ensino Superior: Decreto do Presidente da República, n.º 25-A/83, publicado no Diário da República n.º 26/1984, 2º Suplemento, Série I de 31 de janeiro de 1984.

Termo e requerimento de cessação da comissão de serviço como presidente do INIC, 26 de novembro de 1991; despacho com autorização do ministro do Planeamento e Administração do Território, datado de 7 de janeiro de 1992. INIC, processo individual de Britaldo Normando de Oliveira Rodrigues, Pasta 010552, processo nº 25689, Arquivo de Ciência e Tecnologia da FCT.

Britaldo Rodrigues (1991): «Balanço e perspectivas de acção do Instituto Nacional de Investigação Científica (INIC)»; in Colóquio Ciências, Revista de Cultura Científica, ano 3, nº 8, julho de 1991, pp. 92-101.

http://www.diarioaveiro.pt/noticia/17971

https://www.socgeol.org/actualities/show_regular_actuality?id=falecimento-do-prof-doutor-britaldo-rodrigues

 

Novembro de 2018

 

[1] Ver menção no Boletim Informativo da Sociedade Geológica de Portugal, nº 6-7, dezembro de 1981.

[2] Ver «Maleo», volume 2, nº 12, 1984.

[3] Grupo de Trabalho criado pelo Despacho nº 47/I/SEES/90-XI, incluiu ainda L. Oliveira-Ramos, Carmelo Rosa, L. Amaral e L. Tavares.

[4] Colóquio Ciências, Revista de Cultura Científica, ano 3, nº 8; Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, julho de 1991.