História

O Arquivo de Ciência e Tecnologia foi criado em 2011. Na sua génese esteve o projeto de tratamento e disponibilização dos espólios arquivísticos que a Fundação para a Ciência e a Tecnologia herdou ao longo dos tempos.

Imagem história do ACT


O Arquivo de Ciência e Tecnologia

O Arquivo de Ciência e Tecnologia (ACT) tem na sua génese o espólio arquivístico que a Fundação para a Ciência e a Tecnologia tem herdado ao longo dos anos. Trata-se de um espólio que se encontra bem preservado, tendo sobrevivido, contra o que tem acontecido com importantíssimos acervos públicos e privados, a voragens, abandonos e até destruições provocados por razões de ordem muito diversa.

No seu conjunto, é um acervo único e de inegável interesse e qualidade histórica, que acompanha e repercute a textura e a atividade cultural e científica portuguesa desde os meados do século XX até à atualidade, a forma como se desenharam, estruturaram e desenvolveram estratégias e políticas de enquadramento dessa atividade, as relações que se estruturaram e aconteceram em sede nacional e internacional entre os diversos tipos de organismos, públicos ou privados, de alguma forma ligados à vida científica.

Considerando o inestimável valor científico e patrimonial do seu acervo, a FCT celebrou um protocolo de colaboração com o Instituto de História Contemporânea (IHC) da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (FCSH-UNL), em 2008, com o objetivo de promover o tratamento e a organização indispensáveis à sua preservação, divulgação e estudo. Todo o trabalho desenvolvido no âmbito deste protocolo tem contado com o acompanhamento técnico da Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB).

O trabalho já realizado vem confirmar o interesse e valorizar a existência do Arquivo de Ciência e Tecnologia, o primeiro Arquivo do género existente em Portugal, e, nesse sentido, enaltecer e reforçar a responsabilidade da sua salvaguarda como fonte primária essencial para a história da organização da atividade científica em Portugal desde meados do século XX, tanto na dimensão nacional como internacional.

Em 2011, a Fundação conseguiu reunir praticamente todo o espólio arquivístico, disperso por vários depósitos, num único situado nas caves do edifício sede, na Av. D. Carlos I, em Lisboa, criando simultaneamente condições para a existência de um espaço de atendimento ao público.

Fotografia sala de leitura do ACT

O ACT foi formalmente inaugurado e aberto ao público, a 16 de dezembro de 2011, numa cerimónia que contou com a presença do Ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, da Secretaria de Estado da Ciência, Leonor Parreira, do Professor José Mariano Gago, do Dr. Mário Soares, do Professor José Mattoso, entre outras personalidades.

É missão do Arquivo de Ciência e Tecnologia o tratamento, a preservação e a divulgação do património arquivístico à guarda da FCT, e outros com interesse científico e histórico, contribuindo deste modo para a preservação da história e memória da ciência e da tecnologia em Portugal.

O projeto de tratamento documental

O projeto de organização, tratamento e a divulgação do património documental à guarda da FCT, iniciado no âmbito do protocolo de colaboração com o Instituto de História Contemporânea, teve início em Maio de 2008.

Desde 1967, que a documentação produzida, primeiro pela JNICT, depois pela FCT, não teve qualquer tratamento arquivístico. Por outro lado, o boom documental das últimas décadas, bem como a integração de acervos de instituições públicas entretanto extintas levou a que no início do projeto tivessem sido contabilizados cerca de 4.000 metros lineares de documentação, dispersos por vários depósitos.

O primeiro passo foi a preparação do “Relatório de Avaliação de Documentação Acumulada para a Fundação para a Ciência e a Tecnologia”,apresentado em 2010 à então Direcção-Geral de Arquivos (DGARQ), atual DGLAB.

Fotografia estante no depósito de arquivo do ACT

O parecer favorável da DGARQ, recebido em Março de 2010, permitiu dar continuidade ao trabalho: eliminação de documentação sem valor arquivístico, por um lado e início da descrição e inventariação da documentação de conservação permanente, por outro. O sistema utilizado para o trabalho de descrição e inventariação é o Digitarq, aplicação que obedece às principais normas de descrição internacionais.

O trabalho de descrição e inventariação segue as orientações preconizadas nas ISAD (G) e na I Parte das ”Orientações para a Descrição Arquivística”. Está também em curso a elaboração do estudo e descrição orgânico-funcionais das entidades produtoras da documentação, seguindo as orientações preconizadas nas ISAAR (CPF) e na II Parte das “Orientações para a Descrição Arquivística”.

O trabalho de organização deste Arquivo tem proporcionado a (re)descoberta de uma documentação inestimável para o estudo da temática geral da política e da organização da ciência em Portugal e das diversas áreas científicas e instituições associadas, entre diversas outras dimensões, comprovando a importância deste espólio.

Trata-se, conforme descrito, de um conjunto documental único, de grande valor intrínseco e essencial para o aprofundamento do estudo da atividade cultural e científica portuguesa desde os meados do século XX até à atualidade em múltiplos domínios.

O facto de se encontrar preservado, organizado e disponível à consulta pública, a que acresce a vontade de integração de espólios pessoais, valorizam ainda mais a ação e o trabalho promovido pelo ACT, contando com a colaboração e o apoio científico do Instituto de História Contemporânea da FCSH – UNL e o acompanhamento técnico da DGLAB.

Fotografia estantes amovíveis no depósito de arquivo do ACT

Ao nível do arquivo corrente, e no âmbito deste projecto de tratamento e organização do património documental da FCT, resultou também a produção de dois instrumentos de gestão documental essenciais à gestão documental: um plano de classificação e uma tabela de selecção.

A tabela de selecção, instrumento regulador de prazos de conservação e eliminação de documentos de arquivo, é o documento que define prazos de conservação e destino final da produção documental. Esta tabela está consignada num “Regulamento de gestão de documentos da FCT, I.P”, publicado em Portaria com o n.º 194/2011 de 16 de Maio.

Entretanto, a FCT constituiu uma equipa encarregue de desenvolver e acompanhar as tarefas inerentes à implementação e funcionamento de um sistema de gestão documental, ferramenta indispensável ao bom funcionamento da instituição. O Sistema Electrónico de Gestão de Arquivo (SEGA) da FCT está em funcionamento desde Abril de 2011. Este sistema garante, entre outras funcionalidades, a gestão de entrada e saída de documentação, a sua digitalização, associação de meta informação, organização e classificação. Garante, ao mesmo tempo, a articulação com o arquivo histórico e, dessa forma, a preservação da história e da memória da FCT.

Pesquisa no inventário.

Outubro de 2014