José Mariano Gago

 

Fotografia José Mariano GagoPresidente da JNICT entre 1986 e 1989.


 

José Mariano Rebelo Pires Gago (Lisboa, 1948 – Idem, 2015) licenciou-se em engenharia electrotécnica pelo Instituto Superior Técnico, em 1971. Bolseiro do Instituto de Alta Cultura nesse mesmo ano, partiu para Paris onde realizou o seu doutoramento em Física, pela École Polytechnique – Université Pierre et Marie Curie –, com uma tese sobre a produção e transferência de energia, concluída em 1976. Como físico, trabalhou no campo da aceleração e da colisão de partículas, das altas energias, exercendo funções no laboratório do CERN – Centre Européen de Recherche Nucléaire – em Meyrin, nos arredores de Genebra, a partir do mesmo ano de 1976.

A permanência de Mariano Gago na Suíça teve também como pano de fundo a sua atividade como militante pró-democrático que intensificou entre 1972 e 1974 e o inibiu de se restabelecer em Portugal. A seguir à queda do Estado Novo, em 1974, Mariano Gago conservou-se na Suíça realizando estadias mais ou menos prolongadas em Portugal onde colaborou em diversas iniciativas cívicas, nomeadamente em campanhas de alfabetização de adultos. Foi pois a partir de sua residência em Genebra que recebeu o convite para dirigir os destinos da então Junta Nacional para a Investigação Científica e Tecnológica, que se formalizaria em 1986.

Mariano Gago foi um ativo promotor da ciência, do conhecimento da história dos processos e métodos científicos, da educação e da divulgação científicas em Portugal, tendo sido o responsável pela criação da Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica, gestora da rede de Centros Ciência Viva. Ainda nessa qualidade de impulsionador, publicou diversos trabalhos entre os quais citamos «Homens e Ofícios» (1978; 1982), «Manifesto para a Ciência em Portugal» (1990) ou «O futuro da cultura científica» (1994), nos quais prosseguiu a sua defesa da ciência e da tecnologia, do conhecimento, em suma, como bases para o desenvolvimento humano, social e civilizacional. Em 1991, Mariano Gago foi coordenador do Programa Científico da Europalia, Bélgica, mostra de arte e cultura em que Portugal foi o país convidado.  Foi então responsável por diversas iniciativas de difusão da ciência portuguesa na Europa, daí tendo resultado a publicação de trabalhos como a «Ciência em Portugal» ou «O estado das Ciências em Portugal».

Mariano Gago foi presidente da Junta Nacional de Investigação Científica e Tecnológica entre 1986 e 1989, tendo sido convidado para o cargo pelo então Secretário de Estado da Ciência, Eduardo Arantes e Oliveira. Durante a sua gestão, foram promovidas as «Jornadas Nacionais de Investigação Científica e Tecnológica» (Maio de 1987), no contexto das quais são lançadas as bases para um primeiro «Programa Mobilizador da Ciência e da Tecnologia», visando a inscrição da ciência portuguesa no contexto europeu e internacional bem como a consolidação de uma cultura de informação e de trabalho em rede entre cientistas e instituições de ciência.

Membro da Academia Europeia de Ciência (Academia Europaea), fundada em 1988, Mariano Gago foi agraciado com o título de Comendador da Ordem de Sant’Iago da Espada, em 1992. Posteriormente à sua passagem pela presidência da JNICT assumiu o cargo de ministro da Ciência e da Tecnologia, entre 1995 e 2002, contribuindo para projetar e consolidar a autonomia do campo da ciência portuguesa. É sob o seu ministério, no âmbito do XIIIº e XIVº Governos Constitucionais, que arrancam o «Programa Ciência» e outras iniciativas como a «Unidade de Missão Informação e Conhecimento» para o desenvolvimento da Sociedade da Informação em Portugal.

Em finais do seu primeiro mandato como ministro, Mariano Gago retomou a carreira docente no Instituto Superior Técnico, por pouco tempo porém, pois entre 2005 e 2011, foi novamente chamado à vida política, agora na qualidade de ministro da ciência tecnologia e ensino superior do XVIIº Governo Constitucional.

Em 2011, retornou ao LIP e ao IST organismo de que foi professor catedrático, tendo integrado a Comissão de honra para as comemorações do Centenário desta última instituição também em 2011. Foi presidente do LIP, Laboratório de Instrumentação e Física de partículas até à data do seu falecimento prematuro em 2015.


 

Fontes:

Arquivo de Ciência e Tecnologia: Espólio Mariano Gago [PT/FCT/EMG].

Idem: Processo individual de José Mariano Rebelo Pires Gago [PT/FCT/JNICT/DSGA-RPE-SP/001/0031/132].

João de Pina Cabral (2011): «Entrevista a José Mariano Gago» in: «Análise Social» nº 200 – 3º trimestre, Vol. XLVI.

 

Abril de 2015 (última atualização)