Fernando Dias Agudo

 

Fotografia Fernando Dias AgudoPresidente da JNICT entre 1974 e 1976.


 

Fernando Roldão Dias Agudo (Mouriscas, Abrantes, 1925) estudou no Liceu de Santarém. Em 1943, ingressa na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, onde se licencia em ciências matemáticas sendo, logo em 1947, agraciado com o Prémio Nacional Gomes Teixeira pelo trabalho «Sobre um Teorema de Kakeya». Posteriormente frequenta o curso de engenharia civil no Instituto Superior Técnico obtendo novo grau de licenciatura, em 1951. Nesse mesmo ano, inicia carreira como assistente na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, exercendo posteriormente como docente no Instituto Superior de Agronomia, no Instituto Superior Técnico e na Universidade Nova de Lisboa.

Passou uma temporada em Moçambique onde, entre 1970 e 1972 e na qualidade de professor catedrático, leccionou no Departamento de Matemática da Universidade (então) de Lourenço Marques. Ao seu regresso, retoma funções como professor catedrático na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

Fernando Dias Agudo obteve o doutoramento em ciências matemáticas pela Universidade de Lisboa em 1955. Matemático e engenheiro, especialista em álgebra linear, geometria analítica e análise vetorial (equações e operadores diferenciais), participou no XXIIIº Congresso Luso-Espanhol para o Progresso das Ciências (Coimbra, Junho de 1956), com uma comunicação sobre «extremos condicionantes».

Bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, entre 1957 e 1958, realizou nesta altura uma estadia como investigador convidado na Universidade de Berkeley (Califórnia, EUA). Intensificou o seu interesse pela pedagogia das ciências e, em particular, das matemáticas, bem como pela história da ciência, tendo publicado «A matemática e o mundo contemporâneo» (1980), «Matemática de ontem – Matemática de Hoje – A Escola Politécnica … e as matemáticas em Portugal» (1988), e mais tarde, em colaboração com José Pinto Peixoto e José Tiago de Oliveira uma «História e Desenvolvimento da Ciência em Portugal no século XX» (resultado de orações proferidas na Academia das Ciências de Lisboa em 1990).

Fernando Dias Agudo tem uma produção bibliográfica especializada considerável entre a qual avultam alguns textos de reflexão sobre as condições necessárias ao exercício da investigação científica no contexto nacional («As universidades portuguesas e a investigação científica e técnica», 1968, «Scientific Research in Portugal», Academia das Ciências, 1984, «O papel das academias», 1991, ou «Ciência Tecnologia Sociedade: as lições da História», Coimbra, 1990…). Ainda como Académico fez parte da Comissão organizada para a edição integral das obras de Pedro Nunes (edição da Academia das Ciências, iniciada em 1940).

Fernando Dias Agudo foi presidente da JNICT entre Outubro de 1974 e Setembro de 1976, nomeado em comissão de serviço, sucedendo no cargo a João Maurício Salgueiro. Foi – por inerência de funções – representante nacional ao Comité de Política Científica da OCDE. Após o termo da comissão de serviço, em Julho de 1975, tomou posse como professor catedrático na Universidade Nova de Lisboa, tendo também desempenhado o cargo de diretor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Entre 1980 e 1983, assumiu a presidência do INIC, Instituto Nacional de Investigação Científica.

Professor catedrático jubilado da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, em 1996, membro da Sociedade Portuguesa de Matemática, sócio efetivo da Classe de Ciências, 1ª secção – Matemática, da Academia das Ciências, desde 1979, Fernando Dias Agudo foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem da Instrução Pública em 2004.


 

Fontes:

Arquivo de Ciência e Tecnologia: Processo individual de Fernando Roldão Dias Agudo [PT/FCT/JNICT/DSGA-RPE-SP/001/0017/69].

Fernando Roldão Dias Agudo (1968): As Universidades portuguesas e a investigação científica e técnica in: «Análise Social» nº 20-21, Vol. VI.

(disponível na coleção ACT)

Outubro de 2014