Adérito Sedas Nunes

 

Fotografia Sedas NunesPresidente da JNICT entre 1976 e 1977.


 

Adérito de Oliveira Sedas Nunes (Lisboa, 1928 – Id. 1991) licenciou-se em economia pelo Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras (ISCEF), em 1951, ingressando pouco depois no Gabinete de Estudos Corporativistas. Membro e presidente da Juventude Universitária Católica foi bolseiro do Instituto de Alta Cultura em duas ocasiões consecutivas (1953/56; 1959/62), bem como do Serviço de Ciência da Fundação Calouste Gulbenkian, entre 1963 e 1964.

Foi assistente de economia, história económica e sociologia, no ISCEF, professor catedrático do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE), desde 1973, subdirector e presidente do Conselho Diretivo deste último Instituto, em 1974.

Na qualidade de funcionário do Ministério das Corporações e Previdência Social, participou nos trabalhos preparatórios do IIº Plano de Fomento (1959-1964), como antes tinha participado em trabalhos ligados ao recenseamento de profissões, à saúde, previdência e serviços sociais.

Exerceu também funções docentes na Academia Militar, bem como no Instituto de Estudos Sociais, extinto em 1972, para dar lugar ao ISCTE. No processo de refundação das duas instituições colaborou ativamente, bem assim na concepção do plano de estudos de uma licenciatura em Ciências do Trabalho oferecida por esta última instituição.

Sedas Nunes foi grande impulsionador e colaborador da revista «Análise Social», órgão do Gabinete de Investigações Sociais (GIS), criado no ISCEF em 1963, Gabinete de que foi igualmente membro e subdirector (1965). Nas páginas desse periódico trimestral deixou inúmeros textos de reflexão, tendo assumido, a partir de 1972, com o lançamento da segunda série, o cargo de subdirector e membro do Secretariado de redação e depois, a partir de 1977, o de diretor.

Em 1982 e partindo do núcleo do antigo GIS, funda o Instituto de Ciências Sociais (ICS) da Universidade de Lisboa, de que foi investigador coordenador e diretor até à sua morte em 1991.

Presidente da JNICT desde novembro de 1976, nomeado em comissão de serviço, permaneceu na direção desta instituição até agosto de 1977, tendo regressado ao ISCTE para assumir funções como presidente do Conselho Científico, a partir de 1978.

Adérito Sedas Nunes foi Ministro da Cultura e da Ciência e Coordenação Cultural no Vº Governo Constitucional, entre 1 de Agosto de 1979 e de 2 de Janeiro 1980. Membro da comissão científica e de avaliação do Instituto Gulbenkian de Ciência fez parte da comissão de integração do ISCTE na Universidade de Lisboa. Foi membro do Conselho consultivo de Ciências Humanas do INIC.

Especialista das Ciências Sociais deu notável impulso aos progressos da sociologia do conhecimento ou da sociologia do trabalho que pretendeu alicerçar em metodologias racionais de inquérito e informação (quantificação; estatística), numa conjuntura já informada pelas ideias de fomento e de desenvolvimento social: trabalho, ensino e educação, industrialização, demografia, serviço e políticas sociais, ciência, são pois alguns temas sobre que sistematicamente reflectiu na sua produção bibliográfica, donde destacamos, em 1954, «Situação e problemas do corporativismo», obra distinguida com o Prémio Nacional SNI – Anselmo de Andrade (categoria Ensaio), em 1962, «Introdução ao estudo das ideologias», em 1968, «Sociologia e ideologia do desenvolvimento: estudos e ensaios», «A situação universitária portuguesa», em 1971, «Questões preliminares sobre as ciências sociais», em 1977, ou «História dos factos e das doutrinas sociais (…)», em 1992, entre outros.

Adérito Sedas Nunes foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem de Instrução Pública, em 1988, com a Grã-Cruz da Ordem de Sant’Iago da Espada, em 1992, a título póstumo.


 

Fontes:

Arquivo de Ciência e Tecnologia: Processo individual de Adérito de Oliveira Sedas Nunes [PT/FCT/JNICT/DSGA-RPE-SP/001/0001/2].

Adérito Sedas Nunes (1988): «Histórias, uma história e a História – sobre as origens das modernas Ciências Sociais em Portugal» in: «Análise Social», nº 100 – 1º trimestre, 3ª série, vol. XXIV.

(disponível na coleção do ACT)

Outubro de 2014